Guia do Carnaval do Rio — o que realmente é, e como a semana se organiza
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Guia do Carnaval do Rio — o que realmente é, e como a semana se organiza

Quick Answer

O que é realmente o Carnaval do Rio?

O Carnaval do Rio são dois eventos separados a acontecer um em cima do outro. O desfile do Sambódromo é uma competição coreografada e com bilhete entre escolas de samba, vista de lugares em bancadas. Os blocos são festas de rua gratuitas e sem bilhete que enchem bairros inteiros durante dias antes e depois do desfile — e, para a maioria dos visitantes, os blocos são a melhor viagem. Pode fazer um, o outro, ou ambos.

Dois festivais, não um

A maioria das pessoas que diz “Carnaval do Rio” está a imaginar uma coisa — o desfile do Sambódromo, penas e tambores e um estádio de câmaras — e não percebe que é só metade da história, e talvez nem sequer a metade a que a maioria dos cariocas dedica a sua semana. O Carnaval no Rio são, na verdade, dois festivais separados a decorrer em paralelo:

O desfile do Sambódromo é uma competição com bilhete. Escolas de samba construídas para o efeito — Mangueira, Portela, Salgueiro, Beija-Flor, Grande Rio e cerca de uma dúzia de outras no Grupo Especial — passam o ano inteiro a construir um desfile temático: uma sequência de carros alegóricos, uma história, milhares de participantes fantasiados, e uma secção de percussão ao vivo (a bateria) que, sozinha, pode chegar aos 300 tambores. Cada escola tem cerca de 65-70 minutos para desfilar ao longo do Sambódromo, avaliada em categorias que vão de fantasia a bateria à engenharia dos carros alegóricos, com um vencedor anunciado dias depois. Assiste-se de um lugar, da mesma forma que assistiria a um espetáculo num estádio. Mecânica completa, setores, e preços em bilhetes do Sambódromo explicados.

Os blocos são o oposto de tudo isto: gratuitos, sem bilhete, sem lugares marcados, sem horário imposto por ninguém. Um bloco é um desfile de rua a que qualquer pessoa pode juntar-se — um camião ou uma pequena banda toca, uma multidão forma-se atrás e à volta, e move-se lentamente por um bairro durante algumas horas. Alguns atraem algumas centenas de pessoas; os maiores, como o Cordão da Bola Preta, no Centro, atraem multidões estimadas em centenas de milhares. Há centenas deles pela cidade nas semanas à volta do Carnaval, e, ao contrário do Sambódromo, participar é gratuito. Detalhe completo sobre como encontrar um, o que levar, e quais valem um dia inteiro está em o guia dos blocos.

Ambos são genuinamente “Carnaval”. Nenhum é mais autêntico do que o outro. O conselho honesto, que a maioria dos guias relutam em dar porque o desfile é a parte famosa: se só tiver alguns dias e tiver de escolher um, a maioria dos visitantes tira mais proveito de dois ou três blocos do que de uma noite de Sambódromo. O desfile é um espetáculo que se assiste. Um bloco é um de que se faz parte.

A forma da semana de Carnaval

O Carnaval oficial vai da sexta-feira anterior à Quarta-feira de Cinzas até à própria Quarta-feira de Cinzas, mas na prática a cidade começa semanas antes. As datas exatas do calendário mudam todos os anos — o Carnaval está fixado à Quarta-feira de Cinzas, que é 46 dias antes da Páscoa, por isso pode cair algures entre o início de fevereiro e o início de março, dependendo do ano. Nunca assuma que as datas do ano passado se aplicam à sua viagem; o calendário do ano corrente está no site oficial de turismo do Rio de Janeiro e na divulgação anual do RioTur, e vale a pena guardá-lo assim que começar a planear. Mais sobre com que antecedência planear à volta de uma data móvel está em datas do Carnaval e planeamento.

Dentro dessa janela, a forma é bastante consistente de ano para ano:

As semanas anteriores são quando acontecem os ensaios — ensaios de escolas de samba, abertos ao público, muitas vezes gratuitos ou quase — junto com os primeiros blocos. Muitos locais vão dizer que esta é a melhor parte de toda a época: multidões menores, samba a sério, nenhum dos preços de bilhete do Sambódromo. Detalhe em ensaios de escolas de samba.

A sexta-feira antes do fim de semana de Carnaval é geralmente tratada como a abertura informal, com grandes blocos como o Cordão da Bola Preta e o Monobloco muitas vezes (embora nem sempre) marcados para o sábado.

Os desfiles do Sambódromo acontecem em duas noites, divididos por divisão: o Grupo Especial — o nível de topo, as escolas de que já ouviu falar — desfila nas duas noites principais, geralmente um domingo e uma segunda-feira dentro do fim de semana de Carnaval, e este é genuinamente um evento diferente dos desfiles anteriores na semana pelo Grupo de Acesso, que são mais baratos, menos cheios, e uma verdadeira opção se quiser a experiência do Sambódromo sem o preço do Grupo Especial.

A Quarta-feira de Cinzas encerra tudo — o Carnaval oficial para, embora a ressaca, tanto literal como cívica, dure mais alguns dias, e uma mão-cheia de blocos continuem até ao fim de semana seguinte.

O que é realmente uma escola de samba

“Escola de samba” é uma tradução que confunde quase todos os visitantes de primeira viagem — não é uma escola em nenhum sentido educativo. Uma escola de samba é uma organização comunitária, historicamente enraizada num bairro específico, que existe o ano inteiro para produzir uma coisa: um desfile de Carnaval. A Mangueira está ligada à favela da Mangueira, na Zona Norte; a Portela a Madureira; o Salgueiro ao bairro de encosta que lhe dá o nome. A participação vai de uma mão-cheia de figurinistas e coreógrafos pagos até milhares de membros comunitários não pagos, que cosem fantasias, constroem carros alegóricos, e desfilam pelo amor à coisa.

As cerca de doze escolas que compõem o Grupo Especial são a divisão de elite — pense numa liga de futebol de topo — e todas as outras escolas da cidade, dezenas delas, competem em divisões inferiores (Grupo de Acesso e abaixo) por uma hipótese de subida. O que a maioria dos visitantes vê no Sambódromo é só o Grupo Especial; o Grupo de Acesso desfila em noites separadas e mais baratas, mais cedo na semana, e é uma forma legítima e menos cheia de ver o mesmo espetáculo por uma fração do preço.

Cada escola compromete-se a um tema (enredo) para o ano — por vezes histórico, por vezes político, por vezes uma homenagem a uma pessoa ou lugar — e constrói tudo à sua volta: o samba-enredo escrito especificamente para esse ano, a sequência de carros alegóricos, as fantasias, a coreografia de cada “ala” de desfilantes. Os jurados pontuam em mais de uma dúzia de categorias, desde a secção de percussão ao vivo (bateria) ao design das fantasias, até à forma como a engenharia dos carros alegóricos se aguenta ao desfilar toda a extensão da passarela sem parar. Nada disto é óbvio de um lugar na bancada, a menos que alguém o explique, o que é o argumento honesto para pelo menos ler por alto o tema de uma escola antes da noite do desfile, ou reservar uma opção guiada que o narra à medida que acontece.

Dentro da bateria

A coisa mais fisicamente marcante do Sambódromo, mais do que as fantasias ou os carros alegóricos, é o som. Uma bateria de topo pode chegar aos 250-300 tambores — surdo, caixa, repique, tamborim, cuíca, agogô — a tocar em uníssono apertado, a um volume que se sente genuinamente através dos lugares da bancada, não só se ouve. É a única parte do Carnaval que a televisão não traduz: as gravações achatam-na em música de fundo, e ao vivo é mais próximo de estar junto a uma parede de colunas durante quase uma hora. Se uma noite do Grupo Especial estiver na sua lista especificamente por esta razão, sente-se mais perto do percurso do desfile em vez de alto nas bancadas — o som perde impacto com a distância da mesma forma que o detalhe visual perde.

O que custa, aproximadamente

Não há uma resposta única de “o Carnaval custa X”, porque os dois festivais têm quase nada em comum em preço. Os blocos são gratuitos para participar — só se gasta dinheiro se comprar um abadá (uma t-shirt de marca que alguns dos blocos maiores vendem, em parte como angariação de fundos, em parte como um bilhete suave para uma zona vedada com o seu próprio bar e casas de banho), ou se comer e beber de vendedores de rua pelo caminho, o que a maioria das pessoas faz. Os bilhetes do Sambódromo variam enormemente por setor e noite — cerca de R$150 no extremo mais barato de uma noite de semana do Grupo de Acesso até mais de R$3.000 para um camarote privado numa noite do Grupo Especial — e o valor sobe muito, dependendo de com quanta antecedência reserva. Discriminação completa por setor em bilhetes do Sambódromo explicados.

bilhetes para o desfile do Sambódromo reservam um lugar diretamente, se já decidiu que o desfile vale a pena, e uma experiência guiada de blocos vale a pena considerar para um primeiro Carnaval — um guia local que sabe qual bloco está a mover-se para onde, e a que hora, poupa-lhe estar parado na rua errada a ler um horário que mudou nessa manhã.

Assistir sem bilhete algum

A economia do Sambódromo não é a única forma de ver o desfile. O Terreirão do Samba, uma praça aberta perto do Sambódromo, muitas vezes transmite o desfile ao vivo e gratuitamente, com as suas próprias bancas de comida e atmosfera — uma verdadeira opção se os preços dos bilhetes numa noite do Grupo Especial não encaixarem no orçamento, mas ainda assim quiser estar perto da energia. A televisão brasileira transmite as noites do Grupo Especial na íntegra, e a maioria dos bares de hotel e botecos pela cidade põem-na a passar, o que é genuinamente como muitos cariocas vivem a maior noite do Carnaval — de um banco de bar com uma cerveja, não de um lugar na bancada. Nenhuma das duas substitui estar dentro do Sambódromo, se for especificamente isso que veio buscar, mas vale a pena saber que o bilhete não é a única porta de entrada.

Comer e beber ao longo da semana de Carnaval

A comida de rua sustenta a semana — vendedores a vender queijo coalho grelhado num pau, coxinha, acarajé, e geleiras de cerveja em lata e caipirinha em copo funcionam em todo o percurso de blocos e nas ruas à volta do Sambódromo. Os preços sobem durante o Carnaval (uma lata de cerveja que custa R$6-8 num dia normal pode chegar aos R$10-15 num vendedor de bloco), mas ainda assim é barato pelos padrões da maioria dos visitantes, e é genuinamente parte da experiência, e não algo a evitar. O único cuidado real: compre bebidas abertas à sua frente, e não aceite nada já aberto de um estranho — conselho padrão em qualquer lugar com multidões densas e anónimas, tratado devidamente em segurança no Carnaval.

Ensaios: a coisa que a maioria dos visitantes salta e não devia

Se estiver no Rio nos meses antes do Carnaval, e não durante, ainda assim pode ver escolas de samba a sério a ensaiar — bateria completa, dançarinos, por vezes até os próprios desenhos dos carros alegóricos em exposição — geralmente na própria quadra da escola (um salão comunitário), por uma fração dos preços do Sambódromo e uma fração da multidão. É, indiscutivelmente, uma melhor introdução ao que uma escola de samba realmente é do que ver os 70 minutos do produto acabado a passar diante de uma bancada. Uma visita guiada a um ensaio leva-o para dentro de uma, com contexto sobre o que está a ver, o que importa — um ensaio sem guia é barulhento, caótico, e genuinamente difícil de interpretar da primeira vez. Detalhe completo em ensaios de escolas de samba.

O que vestir, o que levar

O Carnaval no Rio significa calor, multidões, e horas em pé, seja qual for o festival que escolher. O Sambódromo funciona de madrugada numa estrutura de betão com pouca sombra; os blocos movem-se por ruas abertas em pleno sol de verão ou ar húmido noturno. O que realmente funciona — calçado, a questão da fantasia, sol e hidratação — está tratado devidamente em o que vestir no Carnaval.

Manter-se seguro nas multidões

Nenhum dos dois festivais é perigoso da forma que manchetes sensacionalistas sugerem, mas ambos envolvem o maior fator de risco prático único no Rio: multidões densas e distraídas, exatamente o ambiente onde o furto oportunista prospera. A versão específica e comportamental desse conselho — o que levar, como manter um grupo unido, o que fazer se se separarem — está em segurança no Carnaval, que se constrói sobre o guia geral de segurança do Rio.

Carnaval ou passagem de ano

Se está a escolher entre as duas grandes datas do calendário do Rio, não são viagens intermutáveis. O Réveillon em Copacabana é uma única noite gratuita, construída à volta de fogo de artifício e dois milhões de pessoas na areia; o Carnaval é um evento de vários dias, por toda a cidade, com uma economia de bilhetes ligada a metade dele. A comparação completa, incluindo qual serve melhor que tipo de viajante, está em Carnaval vs passagem de ano.

Onde se basear

Copacabana e Ipanema colocam-no perto dos principais blocos e a uma corrida gerível do Sambódromo. Lapa e Santa Teresa ficam mais perto do Centro, onde muitos dos maiores blocos começam, e mais perto do próprio Sambódromo, ao custo de serem mais barulhentos e mais cheios durante toda a semana. Não há resposta errada, mas se for a sua primeira viagem, onde ficar no Rio explica as trocas bairro a bairro.

Deslocar-se durante o Carnaval

Os padrões normais de trânsito deixam de se aplicar: as principais estradas fecham para blocos com pouco aviso, e as noites de Sambódromo trazem multidões enormes e de movimento lento a convergir para o Centro. O metro é geralmente a forma mais fiável de chegar ao Sambódromo e evitar o trânsito de superfície; as aplicações de rideshare continuam a funcionar, mas ficam caras e lentas perto de estradas cortadas. Detalhes em deslocar-se no Rio e guia do metro.

Perguntas frequentes sobre o Carnaval do Rio

O desfile do Sambódromo vale o dinheiro?

Para uma primeira visita, sim — é um espetáculo genuinamente único, sem equivalente real noutro lugar, e um bilhete de noite de semana do Grupo de Acesso baixa bastante o preço em relação ao que custa um sábado do Grupo Especial. Se deve ser o ponto central da viagem ou uma única noite acrescentada a uma semana centrada em blocos é uma questão de gosto, não obrigação; ver bilhetes do Sambódromo explicados para a discriminação setor a setor.

Preciso de comprar um bilhete do Sambódromo com antecedência?

Se quiser um setor específico, uma noite específica, ou qualquer data do Grupo Especial, sim — os bons setores nas noites principais esgotam semanas ou meses antes, e os preços sobem quanto mais perto estiver. Existe disponibilidade no próprio dia, mas é pouco fiável e geralmente limitada aos setores menos desejáveis.

Posso ir a um bloco sem comprar nada?

Sim — a grande maioria dos blocos é inteiramente gratuita para participar, sem bilhete, sem abadá exigido. Alguns dos maiores, mais organizados, vendem uma t-shirt abadá opcional que dá acesso a um recinto mais pequeno e menos cheio perto do trio elétrico, mas é genuinamente opcional na maioria deles.

Quantos dias devo orçamentar para o Carnaval?

Três a cinco dias permitem apanhar uma mão-cheia de blocos, pelo menos um ensaio se chegar cedo o suficiente, e uma noite de Sambódromo sem se esgotar. Ver datas do Carnaval e planeamento para uma sugestão de forma, ou o itinerário de Carnaval dedicado, para um plano dia a dia.

O Carnaval é adequado para famílias?

Parte dele — os blocos diurnos em bairros residenciais atraem bastantes famílias com crianças pequenas. Os blocos noturnos, as multidões apinhadas do Centro, e o horário noturno do Sambódromo não são realmente pensados para crianças pequenas. Ver Rio com crianças para o que funciona e o que não funciona.

O que acontece se não conseguir apanhar de todo a semana de Carnaval?

Ainda assim tem uma amostra: os ensaios decorrem durante meses antes, com uma fração da multidão e do custo, e vários operadores fazem visitas de bastidores à quadra de uma escola durante o ano inteiro. Ver ensaios de escolas de samba e, se quiser o panorama honesto completo de saltar por completo o Sambódromo, Carnaval sem o Sambódromo.

Como sei se o Carnaval vai calhar na minha viagem planeada?

Verifique as datas do ano corrente contra a sua janela de viagem o mais cedo possível — as datas do Carnaval mudam todos os anos, e não há atalho para confirmar o ano específico em que vai viajar. Ver datas do Carnaval e planeamento para saber exatamente como encontrar o calendário confirmado e até onde a época envolvente (ensaios, primeiros blocos) se estende para além da própria semana principal.

Onde é que a maioria dos visitantes de primeira viagem se engana?

Subestimando o calor e a densidade da multidão, e sobrecarregando a agenda. Um itinerário apertado que tenta encaixar um ensaio, três blocos, e uma noite de Sambódromo em 48 horas geralmente só produz um visitante exausto e desidratado que não aproveitou nada por completo. Escolha duas ou três coisas, faça-as devidamente, e leia segurança no Carnaval antes do seu primeiro bloco.

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