Guia de caminhada por Santa Teresa — o bonde, as ruínas, a descida
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Guia de caminhada por Santa Teresa — o bonde, as ruínas, a descida

Quick Answer

Quanto tempo demora percorrer Santa Teresa devidamente?

Conte com três a quatro horas para a subida de bonde, um circuito passando pelo Parque das Ruínas e os principais ateliês de artistas, e a descida a pé pela Escadaria Selarón até Lapa. É um verdadeiro bairro de encosta, com desníveis reais, calçada, e sem acesso de metro, por isso é um dia de caminhada, não um passeio.

Uma vila no alto de um morro que calha de ficar dentro do Rio

Santa Teresa é o único bairro central do Rio que genuinamente parece outro lugar — ruas de calçada estreitas a subir um morro íngreme acima de Lapa e do Centro Histórico, mansões coloniais e belle-époque em todos os estados, de restauradas a em colapso, e uma população residente de artistas, músicos, e famílias antigas do Rio que manteve o carácter do bairro distinto da identidade voltada para a praia da Zona Sul.

Não há estação de metro aqui, e nunca houve — chegar significa o bonde, um táxi ou rideshare subindo o morro, ou a subida a pé pelos degraus Selarón, a partir de Lapa. Essa inconveniência relativa é grande parte da razão pela qual Santa Teresa ainda parece uma vila, e não um distrito turístico: é preciso esforço real para subir até aqui, o que mantém as multidões mais rarefeitas do que quase qualquer outro lugar tão central.

Este guia trata-o como um dia de caminhada: a subida de bonde, um circuito pelas paragens principais do bairro, e as rotas de descida — tudo o que precisa para passar aqui um verdadeiro meio-dia, em vez de uma hora apressada entre outras paragens.

Como o morro se tornou um bairro de artistas

A identidade de Santa Teresa como o quarteirão boémio e artístico do Rio não é marketing recente — remonta a mais de um século. Famílias ricas construíram mansões de verão no morro ao longo do século XIX, atraídas pelo ar mais fresco e pelas vistas, e à medida que o centro de gravidade do Rio se deslocou para os bairros de praia da Zona Sul ao longo do século XX, muitas dessas grandes casas caíram de moda e em degradação, tornando-se disponíveis a um conjunto muito diferente de residentes: artistas, músicos, e boémios que podiam pagar espaços coloniais grandes e desbotados que os cariocas mais ricos já não queriam.

Esse declínio de meados de século e o seu improvável resultado criativo é a razão pela qual Santa Teresa tem hoje tanto ruínas genuinamente em decadência como uma concentração desproporcional de estúdios em funcionamento nos mesmos poucos quarteirões — causa e efeito da mesma mudança de décadas, não uma coincidência.

O que vestir e levar

Sapatos planos e resistentes importam mais aqui do que em quase qualquer outro lugar do centro do Rio — a calçada é real, irregular em alguns pontos, e os desníveis são desníveis de morro genuínos, não subidas suaves. Uma camada leve vale a pena levar mesmo num dia quente na Zona Sul, já que a altitude e a cobertura de árvores em partes do percurso trazem uma sensação visivelmente mais fresca e ventosa do que os bairros de praia lá em baixo. Dinheiro em notas pequenas cobre a tarifa do bonde e a maioria das pequenas compras em cafés e galerias, sem depender inteiramente de cartões, que alguns ateliês mais pequenos e bancas de comida não aceitam.

Subir: o Bonde de Santa Teresa

O bonde amarelo — o bonde — é a última linha de bondinho sobrevivente do Rio e a forma clássica de entrar em Santa Teresa, em serviço de alguma forma desde o século XIX, e ainda a atravessar os Arcos da Lapa (o Aqueduto da Carioca, construído nos anos 1750 para levar água à cidade) a caminho do morro. A linha atual funciona da estação Carioca, no Centro, até ao Dois Irmãos, no núcleo de Santa Teresa, com um prolongamento até Silvestre.

Detalhes práticos. A fila de embarque forma-se na Estação Carioca, mesmo ao lado da estação de metro Largo da Carioca (Linhas 1 e 2), debaixo de uma cobertura verde — fácil de encontrar assim que souber o que procurar. Os bondes funcionam a cada cerca de 15 minutos em dias de semana; a fila começa por volta das 8h e continua até cerca das 18h30 em dias de semana, com horário ligeiramente mais curto ao fim de semana (aproximadamente das 9h às 17h).

Uma viagem custa cerca de R$20, bilhetes comprados apenas na janela da estação — dinheiro ou cartão, sem reserva antecipada. O embarque prioritário aplica-se a utilizadores de cadeira de rodas, residentes de Santa Teresa, e visitantes com mais de 65 anos. O próprio bonde é aberto de lado, lento, e genuinamente cénico ao atravessar o aqueduto — vale a pena tratá-lo como uma atividade turística, não só transporte, e vale a pena fotografá-lo de baixo, nos Arcos, tanto quanto andar nele.

Um tour guiado por Lapa e Santa Teresa com passeio de bonde combina a travessia com uma caminhada guiada pelas paragens principais do bairro, útil se fazer fila para o bonde sozinho parecer um incómodo, ou preferir não navegar os ateliês e miradouros sem contexto local.

Porque o bonde tem carros novos, e porque vale a pena saber

O aspeto atual, alegre e ligeiramente de brinquedo, do bonde tem uma história séria por trás. Em agosto de 2011, um bonde descarrilou num troço a descer, depois de uma falha nos travões, matando seis pessoas e ferindo dezenas mais — um acidente atribuído a uma longa lista de falhas de manutenção e mecânicas ao longo da linha envelhecida. Todo o serviço foi suspenso indefinidamente depois disso, e Santa Teresa ficou sem o seu bonde durante quase quatro anos, enquanto a câmara municipal financiava uma reconstrução completa: material circulante novo, via renovada, e regras de segurança revistas, incluindo o fim da antiga prática de passageiros a viajar de pé nos estribos.

O serviço limitado recomeçou em meados de 2015, prolongado até à sua rota atual no final desse ano. Vale a pena saber isto por duas razões práticas: explica porque os carros de hoje parecem e sentem-se visivelmente mais novos do que as origens do século XIX da linha sugeririam, e é um lembrete pequeno e honesto de que esta infraestrutura tão encantadora foi, não há muito tempo, uma verdadeira falha de segurança de que a cidade teve de reconstruir, e não um elemento permanente que sempre foi tão fiável.

Parque das Ruínas

A primeira paragem a sério, uma vez no alto do morro: a casca em ruínas de uma mansão que pertenceu a Laurinda Santos Lobo, uma socialite cujos salões do início do século XX atraíam a alta sociedade artística e intelectual do Rio, hoje preservada como centro cultural, em vez de restaurada ao seu estado original — a ideia é a própria ruína, percorrida através de passadiços de aço e uma torre central, em vez de reconstruída como uma casa de época.

É gratuito, aberto de terça a domingo, aproximadamente das 9h às 18h (os horários mudam sazonalmente, vale a pena verificar rapidamente antes de uma viagem especial). Suba a torre para uma das melhores vistas panorâmicas do centro do Rio — os telhados do Centro, os Arcos da Lapa, a Baía de Guanabara, e num dia limpo o Pão de Açúcar e até um vislumbre do Cristo Redentor — tudo sem pagar nada nem juntar-se a um tour formal de miradouro. Os fins de semana muitas vezes trazem música ao vivo ou pequenas exposições no salão do rés do chão; verifique o que está a acontecer antes de ir, se isso for um atrativo.

Museu Chácara do Céu

Mesmo ao lado do Parque das Ruínas, vale a pena combinar na mesma paragem, em vez de tratar como uma viagem separada, fica o Museu Chácara do Céu — a antiga casa de Raymundo Ottoni de Castro Maya, um colecionador e mecenas que deixou a sua coleção de arte privada à cidade após a sua morte, em 1968. É um pequeno museu genuinamente gratificante: uma casa de três andares com arte moderna europeia e brasileira, livros raros, mobiliário, e peças decorativas ao longo de salas ainda à escala da residência privada que outrora foram, e não uma galeria construída para o efeito. Aberto todos os dias, exceto às terças-feiras, das 10h às 17h, com entrada gratuita — um acréscimo fácil, dado quão diretamente fica ao lado do miradouro do Parque das Ruínas, e uma boa opção se as paragens exteriores mais famosas de Santa Teresa lhe deixarem vontade de algo interior e mais calmo, por vinte minutos.

Os ateliês

As ruas íngremes de Santa Teresa albergam uma das maiores concentrações de estúdios de artistas em funcionamento do Rio — pintores, escultores, ceramistas, e gravadores, muitos a trabalhar a partir das mesmas casas coloniais que as suas famílias ocupam há gerações. A maioria não está aberta diariamente a visitantes sem marcação; o fim de semana anual de “Portas Abertas” do bairro, geralmente realizado uma ou duas vezes por ano, é quando o maior número abre em simultâneo, e vale a pena programar uma visita à sua volta, se as datas coincidirem com a sua viagem. Fora desse fim de semana, várias galerias e lojas-ateliê ao longo da Rua Paschoal Carlos Neto e à volta do Largo do Guimarães mantêm horários mais regulares e valem uma olhada mesmo num dia comum — é aqui que a reputação de Santa Teresa como bairro de arte é mais visivelmente merecida, mais do que em qualquer museu único.

Um tour a pé dedicado a Santa Teresa é a melhor opção especificamente para os ateliês e os cantos menos óbvios do bairro — um guia local sabe que estúdios estão realmente abertos num determinado dia, algo que um visitante de primeira viagem a entrar a frio geralmente não sabe.

Para além do circuito principal

Para visitantes com mais de meio dia, Santa Teresa recompensa vaguear para fora do circuito central, do Largo do Guimarães ao Parque das Ruínas, para as suas ruas residenciais mais calmas — a Rua Almirante Alexandrino percorre toda a espinha do bairro e oferece uma verdadeira sensação da vida diária aqui, roupa estendida em varandas e pequenas mercearias de esquina ao lado das fachadas de galeria mais polidas.

O prolongamento até Silvestre da linha do bonde, reaberto nos últimos anos, alcança um troço mais calmo e menos turístico, mais afastado do centro, que vale a pena considerar para visitantes que já fizeram o circuito central numa viagem anterior e querem ver um lado menos fotografado do mesmo morro. Nada disto é essencial numa primeira visita, mas vale a pena saber que o bairro tem verdadeira profundidade para além da mão-cheia de paragens que a maioria dos guias — este incluído — trata como o itinerário obrigatório.

Comida e uma pausa

O Largo do Guimarães, a praça informal do bairro, tem a maior concentração de cafés e pequenos restaurantes, e é o lugar natural para parar para almoçar ou tomar um café a meio de um circuito a pé. Bares e pequenos restaurantes ao longo da Rua Almirante Alexandrino servem tanto residentes como visitantes, sem cair inteiramente no território de menu turístico. Ver what-to-eat-in-rio e boteco-culture-in-rio para o panorama gastronómico mais amplo do Rio, que se aplica aqui tanto quanto em qualquer outra parte da cidade.

Como descer

Três opções reais, cada uma adequada a um tipo diferente de visitante. O bonde de volta refaz a mesma rota até à estação Carioca — o mais simples, o mesmo custo, o mesmo sistema de fila.

A pé, pela Escadaria Selarón, leva-o para baixo pelas ruas mais baixas de Santa Teresa até aos próprios degraus em mosaico (detalhe completo em street-art-in-rio e escadaria-selaron-guide), fazendo-o aterrar diretamente em Lapa — a opção mais cénica e a escolha natural se estiver a planear uma noite em Lapa depois, já que já vai estar na base do morro.

Táxi ou rideshare é a opção mais simples depois de escurecer ou se as pernas estiverem cansadas; as ruas de Santa Teresa são íngremes o suficiente para que descer a pé de noite não seja o melhor plano, independentemente da segurança, puramente por causa da calçada irregular. Ver rio-safety-guide para orientação geral sobre o horário de caminhadas em encosta, e uber-and-taxis-in-rio para o que esperar em tarifas e fiabilidade de recolha nas ruas estreitas de Santa Teresa, que ocasionalmente complicam as recolhas de rideshare.

Planear numa viagem

Uma manhã ou tarde em Santa Teresa combina naturalmente com Lapa para a noite — desça a pé pelos degraus Selarón e fica posicionado para o guia da noite em Lapa sem precisar de uma segunda viagem pela cidade. Também combina bem com centro-historico-walking-guide, como um dia completo de Centro e morros, dado quão perto fica o ponto de partida do bonde do Centro Histórico. Para estadias mais longas, rio-in-three-days e rio-in-five-days têm ambos espaço natural para um meio-dia em Santa Teresa, sem sacrificar as praias e miradouros que a maioria dos visitantes de primeira viagem prioriza.

Perguntas frequentes sobre caminhar por Santa Teresa

Preciso de reservar o bonde com antecedência?

Não — os bilhetes vendem-se apenas na janela da estação, no próprio dia, sem reserva online. Chegue com alguma margem antes de querer partir, especialmente ao fim de semana, quando as filas demoram mais.

É seguro caminhar por Santa Teresa durante o dia?

Sim, rotineiramente — é um bairro residencial bem estabelecido e frequentemente visitado; aplica-se a atenção normal de cidade, tal como em qualquer bairro de encosta com ruas laterais calmas. As noites são melhor passadas nas zonas de restaurantes e bares mais movimentadas, perto do Largo do Guimarães, e não nas ruas de trás mais calmas.

Posso saltar o bonde e simplesmente subir a pé?

Sim, pela Escadaria Selarón, a partir de Lapa, embora seja uma subida real — espere 20-30 minutos de caminhada em subida por degraus e encostas, gerível para a maioria dos visitantes em forma, mas não um passeio casual.

O Parque das Ruínas é gratuito?

Sim, a entrada é gratuita; só eventos especiais com bilhete (concertos ocasionais) custam extra.

Quanto tempo devo orçamentar para os ateliês?

Uma ou duas horas, se alguns estúdios calharem de estar abertos, mais durante o fim de semana de Portas Abertas, quando a maioria dos artistas em atividade do bairro abrem as portas de uma vez.

Santa Teresa é bom para um dia de chuva?

Parcialmente — os ateliês e alguns espaços culturais interiores funcionam bem com chuva ligeira, mas os miradouros exteriores e o próprio passeio de bonde perdem grande parte do seu atrativo com mau tempo. Ver what-to-do-in-rio-when-it-rains para melhores opções de dia de chuva, se a previsão parecer má.

Vale a pena acrescentar o Museu Chácara do Céu à caminhada?

Sim, e é um acréscimo fácil — fica mesmo ao lado do Parque das Ruínas, é gratuito, e demora apenas vinte a trinta minutos, o que o torna quase uma decisão sem custo, se já estiver a parar nas ruínas pela vista.

O bonde de Santa Teresa sempre teve este aspeto moderno?

Não — um sério descarrilamento em 2011 matou seis pessoas e feriu dezenas, levando a uma suspensão de quase quatro anos do serviço, enquanto a cidade reconstruía a linha com carros novos e regras de segurança revistas. O bonde que funciona hoje data em grande parte dessa reconstrução de 2015, e não das origens da linha no século XIX.

Qual é a melhor altura do ano para visitar para o fim de semana de ateliês abertos?

As datas de Portas Abertas variam de ano para ano e não estão fixas a um mês específico; verifique as datas atuais através da associação cultural do próprio Santa Teresa ou listagens locais, se estiver a programar uma viagem especificamente à sua volta, em vez de assumir uma data anual fixa.

Há hotéis em Santa Teresa que valham a pena considerar?

Sim, várias pousadas boutique e pequenos hotéis funcionam em mansões convertidas, populares entre visitantes que querem alojamento mais calmo e mais residencial do que Copacabana ou Ipanema — ver where-to-stay-in-rio para as trocas de basear uma viagem aqui em cima versus na praia, incluindo a realidade diária de depender do bonde ou de recolhas de rideshare, em vez de uma caminhada até uma estação de metro. Continua também a ser um verdadeiro bairro residencial — famílias e residentes de longa data ao lado das pousadas — o que é parte da razão pela qual mantém uma sensação de bairro habitado que outros bairros mais completamente convertidos ao turismo, noutras partes do Rio, perderam.

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