Guia do estádio do Maracanã — o tour, o museu e um jogo a sério
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Guia do estádio do Maracanã — o tour, o museu e um jogo a sério

Quick Answer

Devo fazer o tour ao estádio do Maracanã, ou tentar ver um jogo a sério?

São duas experiências diferentes, não uma hierarquia. O tour ao estádio é de preço fixo, disponível em qualquer dia, uma caminhada pelos túneis, balneários e beira de campo, feita em menos de uma hora sem risco de bilhete. Um jogo a sério — tratado na íntegra em how-to-see-a-football-match-in-rio — só acontece quando um clube do Rio joga em casa, exige planeamento antecipado e entrega algo que o tour não consegue: 60 mil pessoas a cantar ao mesmo tempo. Se as suas datas permitirem ambos, faça os dois.

Um estádio vazio ainda tem muito para dizer

O Maracanã — oficialmente Estádio Jornalista Mário Filho, embora ninguém no Rio lhe chame assim — abriu em 1950 para um Mundial que o Brasil famosamente perdeu na final, perante uma multidão cujo tamanho exato os historiadores ainda discutem, algures acima de 170 mil pessoas. Foi reconstruído duas vezes desde então, mais recentemente para o Mundial de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, e tem hoje uma capacidade ainda enorme, mas bem mais confortável, de 78 mil lugares sentados.

A maioria dos visitantes experimenta-o de uma de duas formas: um tour diurno ao estádio, que funciona todos os dias independentemente do calendário de futebol, ou um jogo a sério, que só acontece quando um clube do Rio tem um jogo em casa. Esta página trata do tour, do pequeno museu integrado no estádio, e da logística de chegar ao Maracanã, na Zona Norte. Para a questão separada, e de maior importância, de comprar um bilhete para um jogo e sobreviver ao próprio dia de jogo, ver como ver um jogo de futebol no Rio e segurança em dia de jogo.

O tour ao estádio: o que realmente se vê

A visita guiada ou autoguiada percorre o túnel dos jogadores, pelo menos um balneário equipado como se um clube do Rio estivesse prestes a entrar em campo, a pista de atletismo à beira do relvado e — na maioria dos percursos — um lugar na bancada a olhar para baixo, para o relvado. Demora entre 45 minutos e uma hora a um ritmo tranquilo, funciona num horário diário fixo independente de qualquer jogo, e é a única forma de estar à beira do relvado no Maracanã sem um passe de jogador ou um bilhete para o jogo específico que decorra nesse dia.

um tour de bastidores ao estádio do Maracanã é a versão padrão — túnel, balneário, beira de campo, comentário guiado sobre a história do estádio, incluindo a final de 1950 e as renovações de 2014 e 2016.

o bilhete de entrada oficial do Maracanã é a opção mais direta e ao seu próprio ritmo, se preferir saltar a narração guiada e andar ao seu próprio passo — útil se estiver a combinar a visita com outra coisa no mesmo dia e não quiser ficar preso ao ritmo de um grupo.

Preço e horário. Os bilhetes do tour rondam os R$70-120 (cerca de 13-22 USD), dependendo do percurso e de haver ou não guia incluído. As manhãs são mais calmas do que as tardes; evite reservar um tour para o dia de um jogo importante ou o dia anterior, já que os trabalhos de preparação podem fechar secções do percurso sem aviso.

O pequeno museu, e porque vale os vinte minutos extra

Integrado na estrutura do estádio está um museu compacto que cobre a história do futebol brasileiro de forma ampla, não só do estádio em si — camisolas, troféus e fotografias que percorrem as vitórias mundiais da seleção nacional e a história dos clubes Flamengo, Fluminense e Botafogo e Vasco, os quatro clubes que têm casa na região metropolitana do Rio. Não é grande — vinte a trinta minutos cobrem-no devidamente — mas para quem ainda não sabe porque é que os brasileiros levam o futebol tão a sério, preenche o contexto que o tour ao estádio, sozinho, não dá.

um tour ao Maracanã que combina a visita ao estádio com uma paragem para petiscos e bebidas locais alarga a visita para meio dia e acrescenta um guia capaz de contextualizar as peças em exposição de uma forma que uma visita autoguiada às vitrines não consegue.

Tour vs jogo: a comparação honesta

O tour garante um resultado: vai ver o túnel, o relvado e o balneário, em qualquer dia que convenha ao seu itinerário, faça chuva ou sol, haja ou não calendário de futebol. Um jogo não garante nada em particular, exceto imprevisibilidade — qual clube, qual adversário, qual setor ainda tem bilhetes — mas entrega uma atmosfera que nenhum estádio vazio consegue fingir: tambores, tochas à porta dos portões, canções que não param durante noventa minutos, e mais de 60 mil pessoas a reagir à mesma jogada no mesmo instante.

Se só tiver uma visita ao Rio e uma agenda flexível, verifique primeiro o calendário de jogos — um jogo em casa do Flamengo, o clássico em especial, vale a pena reorganizar um itinerário à sua volta. Se não houver jogo nas suas datas, o tour não é um prémio de consolação; é uma hora genuinamente diferente e genuinamente que vale a pena, que não depende do horário de mais ninguém, só do seu.

Como chegar ao Maracanã

O estádio situa-se no bairro do Maracanã, na Zona Norte, e a forma mais fácil de chegar é a Linha 2 do metro até à estação Maracanã, que deixa a uma curta caminhada bem sinalizada dos portões principais. Detalhe completo linha a linha, horários, e porque o metro é genuinamente a escolha certa aqui (não só a mais barata) está em o guia do metro do Rio; o panorama de transportes mais amplo, incluindo quando o Uber faz mais sentido do que o comboio, está em deslocar-se no Rio e Uber e táxis no Rio.

Num dia sem jogo, um táxi ou rideshare desde Copacabana ou Ipanema demora 30-45 minutos dependendo do trânsito e custa cerca de R$40-70 (cerca de 8-13 USD) — razoável para uma visita de tour em que não vai enfrentar uma multidão de estádio à saída. Num dia de jogo, a conta muda drasticamente a favor do metro, tratado em detalhe em segurança em dia de jogo: a Linha 2 aumenta a frequência à volta do pontapé de saída e do apito final precisamente porque o acesso rodoviário fica completamente congestionado.

O que fica perto, se estiver a fazer um dia inteiro

A Quinta da Boa Vista, o antigo parque imperial com os terrenos do museu nacional do Rio, fica a um curto trajeto do Maracanã e combina naturalmente com uma visita ao estádio, se quiser transformar um tour de uma hora num meio-dia na Zona Norte, em vez de uma ida e volta direta. Nenhum dos dois locais é sítio para vaguear longamente depois de escurecer — ver o guia de segurança do Rio para o panorama mais amplo de que bairros recompensam a exploração diurna versus uma abordagem direta, de ida e volta.

A final de 1950 e a longa reconstrução do estádio

O Maracanã foi construído à pressa para o Mundial de 1950, erguido em menos de dois anos sobre um terreno pantanoso que deu o nome ao estádio — uma corruptela do rio Maracanã, que antigamente corria pelo local antes de o terreno ser drenado e construído por cima. 850 espectadores pagantes (estimativas não oficiais da época aproximam-se dos 200 mil, já que as bancadas de pé tornavam impossível uma contagem exata) viu o Brasil, que só precisava de um empate frente ao Uruguai para vencer o torneio em casa, perder por 2-1.

O Rio continua a chamar-lhe o Maracanaço, e mantém-se como uma das poucas derrotas desportivas que um país ainda discute no presente do indicativo, nos bares, sete décadas depois; uma placa discreta e um pequeno jardim memorial junto ao estádio assinalam a derrota sem a dramatizar. O estádio físico não tem quase nenhuma semelhança com a taça de 1950 que recebeu aquele jogo. Uma primeira grande remodelação antes dos Jogos Pan-Americanos de 2007 eliminou as bancadas de pé — a geral — que outrora acolhiam as maiores multidões, convertendo toda a estrutura em lugares individuais sentados e cortando a capacidade nominal para menos de metade, de um pico que algumas contagens situam acima dos 200 mil para cerca de 90 mil.

A renovação de 2013-2014, antes do Mundial desse ano, foi ainda mais longe: uma nova cobertura sobre todos os lugares, a pista de atletismo recuada para aproximar as bancadas do relvado, e uma reconstrução estrutural completa do piso inferior, chegando à atual capacidade sentada de 78 mil. As cerimónias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de 2016 usaram essa mesma estrutura reconstruída sem alterações estruturais adicionais. O que os visitantes veem hoje, por outras palavras, é um estádio da era de 2014 com um nome de 1950 e uma lenda de 1950 — os guias do tour são geralmente diretos ao dizer que quase nada do que se toca fisicamente na visita já existia quando aconteceu o Maracanaço, o que é exatamente o que torna o museu digno dos vinte minutos extra: é a única parte da visita que verdadeiramente liga os dois estádios.

Por dentro do tour: horários, entradas, e onde as pessoas se enganam

O tour e o museu usam uma entrada diferente das que se usam em dia de jogo, e confundir as duas é o erro mais comum entre os visitantes — os portões de dia de jogo são numerados e distribuem-se por todo o perímetro do estádio, enquanto o tour e o museu se concentram ambos numa única entrada de visitantes, do lado voltado para a estação de metro. Aparecer num portão de dia de jogo num dia sem jogo normalmente só significa uma caminhada desnecessária à volta do perímetro, sem sinalização que indique o caminho certo.

Os grupos do tour partem continuamente ao longo do dia, em vez de terem horários fixos anunciados, pelo que chegar a meio da manhã raramente implica uma espera longa — mas o último tour do dia é mesmo o último: chegar depois dele significa que a bilheteira não vende bilhete, independentemente da hora de fecho oficial publicada online, já que os guias precisam de toda a janela da visita para terminar antes de o estádio fechar para a noite.

As regras de bagagem são mais leves do que em dia de jogo, mas não inexistentes: mochilas grandes e quaisquer recipientes de vidro ficam retidos num controlo de bagagens junto à entrada, em vez de serem levados durante a visita, o que custa alguns minutos de fila que os visitantes de primeira vez raramente contam. A secção junto ao relvado é a única parte do percurso que ocasionalmente fecha sem aviso, não por causa do tempo, mas porque a equipa de manutenção está a trabalhar na relva antes de um jogo mais tarde nessa semana, e os operadores do tour nem sempre sabem com antecedência em que dias isso vai acontecer — o melhor é tratar o «acesso garantido ao relvado» como provável, não como certo.

A fotografia é livre em todo o percurso, exceto dentro do balneário da equipa da casa, onde se pede para não usar flash, por respeito a um espaço ainda usado por jogadores profissionais; ninguém fiscaliza isto rigorosamente, mas os guias pedem mesmo assim. O acesso para cadeiras de rodas cobre o museu e a maior parte do percurso do tour, embora o túnel dos jogadores tenha um pequeno troço com degraus que exige um percurso alternativo com apoio de um funcionário — vale a pena avisar na bilheteira em vez de descobrir isso a meio da visita.

ParagemO que se vêTempo típico
Entrada e verificação de bagagensLevantamento de bilhetes, controlo de segurança5-10 min
Túnel dos jogadoresO percurso por onde as equipas saem em dia de jogo5 min
BalneárioBalneário da equipa da casa, preparado como em dia de jogo10 min
Beira de campoPista de atletismo e lugares ao nível do relvado15 min
MuseuHistória do futebol brasileiro e memorabilia dos clubes20-30 min

Mangueira, o bairro, e o que existe realmente à volta do estádio

A Zona Norte à volta do Maracanã não é um bairro pensado para turistas, e isso nota-se assim que se sai da entrada do tour: os vendedores de rua vendem queijo grelhado e caldo de cana em carrinhos, em vez de quiosques, o trânsito é trânsito real de quem se desloca para o trabalho, não de autocarros turísticos, e quase ninguém à sua volta está ali especificamente pela visita ao estádio.

A favela do Morro da Mangueira ergue-se mesmo atrás de um dos lados do estádio, e é onde fica a Estação Primeira de Mangueira, uma das escolas de samba mais antigas e premiadas do Rio, cujas cores verde e rosa e cujo galpão de ensaios são visíveis a partir de alguns pontos de acesso ao estádio — a tradição do samba do bairro é anterior ao próprio estádio em várias décadas. Nada disto está preparado como atração turística, nem é uma; admirar a vista a partir da rua pública é normal, mas subir até à própria favela não tem qualquer ligação ao tour do estádio e não é aconselhável sem uma visita dedicada, guiada localmente, organizada à parte através de um operador adequado.

Numa tarde comum sem jogo, os arredores imediatos do estádio parecem mais um nó de transportes do que um destino — pessoas a caminho do metro, da Quinta da Boa Vista, dos edifícios universitários ali perto — o que ajuda a explicar porque é que a abordagem «ir, fazer o tour, voltar», mencionada antes neste guia, se mantém válida: há pouca razão para se demorar depois de terminados o tour e o museu, não por ser inseguro de dia, mas porque genuinamente há pouco mais pensado para a tarde de um visitante nos quarteirões imediatos à volta dos portões.

A comida perto do estádio é funcional, não notável — lanchonetes simples e bancas de sumos vocacionadas para os funcionários do estádio e para quem se desloca para o trabalho, não para os visitantes — pelo que a maioria das pessoas que planeia uma refeição a sério guarda-a para a Zona Sul ou para uma paragem na Quinta da Boa Vista, em vez de esperar um almoço à altura junto aos portões do estádio. Em dias de jogo, este mesmo troço transforma-se por completo, enchendo-se horas antes do pontapé de saída com vendedores de bandeiras, rodas de tambores que se formam à porta de portões específicos por tradição, e uma densidade de gente que torna difícil imaginar a versão neutra e meio vazia do bairro durante o dia.

Perguntas frequentes sobre o estádio do Maracanã

Preciso de reservar o tour com antecedência?

Não estritamente, mas reservar com antecedência garante o horário preferido e salta a fila de compra no local, que pode chegar a 20-30 minutos num fim de semana. Bilhetes no próprio dia costumam estar disponíveis, exceto em dias com preparação para um jogo noturno.

Vale a pena o tour se também vou ver um jogo?

Genuinamente sim, se a agenda permitir ambos — o tour é a única forma de estar onde os jogadores estão e ver os balneários, nada disso é acessível com um bilhete normal de jogo. Muitos visitantes fazem o tour num dia e um jogo noutro.

Quanto tempo devo orçamentar para a visita?

45 minutos a uma hora só para o tour; acrescente 20-30 minutos se for fazer o museu devidamente, e mais se tiver adicionado uma paragem guiada para petiscos. Meio dia cobre confortavelmente tour, museu e uma volta pela Quinta da Boa Vista.

Que clubes jogam realmente no Maracanã?

Flamengo e Fluminense usam-no como principal casa para a maioria dos jogos; Botafogo e Vasco jogam sobretudo em estádios menores (os seus próprios terrenos, tratados em Botafogo e Vasco), mas movem certos jogos de grande procura para o Maracanã quando a sua própria capacidade não consegue satisfazer a procura de bilhetes.

É seguro andar pela zona à volta do estádio num dia sem jogo?

Durante o dia, num dia normal, sim — é um bairro comum, embora pouco notável, da Zona Norte, com grupos de turistas e funcionários do estádio por perto. Não é um sítio para se demorar depois de escurecer ou vaguear para longe do acesso principal ao estádio; vá, faça o tour e volte pelo mesmo caminho.

Posso combinar o Maracanã com o Cristo Redentor ou o Pão de Açúcar no mesmo dia?

Logisticamente sim, mas resulta num dia longo — os três locais situam-se em zonas diferentes da cidade, com tempo real de deslocação entre eles. A maioria dos visitantes que querem fazer os três divide-os por dois dias em vez de forçar uma única maratona.

O que devo vestir ou levar?

Calçado confortável — o tour inclui escadas e uma boa quantidade de caminhada em superfícies duras — e um chapéu ou protetor solar se for fazer as secções exteriores à beira do relvado ao meio-dia, já que as bancadas oferecem pouca sombra.

Há loja de recordações ou merchandising?

Sim, à saída do tour, com merchandising oficial do estádio e da seleção nacional; equipamento específico de clube do Flamengo, Fluminense, Botafogo ou Vasco encontra-se de forma mais fiável na loja do próprio clube ou num retalhista desportivo geral na Zona Sul, não no estádio em si.

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